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December 4, 2017

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Existe uma questão que sempre busquei entender, que trata da origem de nosso caráter. Uma linha da ciência diz que somos folhas em branco ao nascer e é o meio (os nossos cuidadores, a escola, a sociedade etc.) o responsável por nos construir enquanto pessoa. Outra linha da ciência já considera que, em partes, seríamos sim folhas em branco, porém não totalmente, há uma parcela herdada, mesmo quando estamos falamos de caráter.

 

Faço sempre essa reflexão quando me deparo com uma pessoa com um desvio de caráter muito acentuado. Quem de nós nunca se deparou com um indivíduo assim, não é? E quando encontramos uma pessoa com essa característica no ambiente organizacional?

 

Certa vez, trabalhava numa empresa e estava numa sala numa situação bastante complicada para uma pessoa, uma funcionária. Havia acontecido uma série de situações, bastante sérias, e essa pessoa tinha sido descoberta como a autora dos atos e eu estava presente no exato momento da revelação da verdade. Confesso que a atmosfera na sala era tão tensa e havia o compartilhamento de um constrangimento alheio por todos os envolvidos, menos pela autora. A todo instante, eu só olhava, quase que desesperadamente, para o rosto dessa pessoa e eu buscava ali em seus olhos algum sinal de arrependimento, culpa, e sequer vi uma faísca de constrangimento! Eu nunca me esquecerei daquele momento. Como nunca me esqueci daquele olhar...

 

Alguns chamam de mau caráter. Outros, de perverso. Mas estamos falando de psicopatas. Pessoas com transtorno de personalidade antissocial. Segundo a literatura científica, estima-se que sejam 4% da população, sendo 3 homens para cada mulher. Divididos entre graus que vão de leve, moderado, até grave, eles estão entre nós e é certo afirmar que já trabalhamos com algum, em algum momento de nossa vida. Pessoas muitas vezes brilhantes. Inteligentes, comunicativas, sociáveis, charmosas, sedutoras até; pessoas absolutamente racionais, que sabem fazer a cena muito bem. Jogam muito bem o jogo! O jogo das relações sociais, de poder; eu diria que são políticos natos, nasceram com uma articulação impressionante.

 

Aqui cabe fazer uma diferenciação entre o que seria um traço e o que seria o transtorno de fato. O traço é a característica. Quem tem o transtorno possui os critérios (listados no DSM-V Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, por exemplo). Porém, nem todos que apresentam traços terão o transtorno. E já li alguns psiquiatras dizendo que ter um traço nem sempre é ruim, até pelo contrário, pode ser muito bom para um indivíduo. Eu por exemplo posso dizer que teria um forte “traço psicopático”, que sempre gozaram de mim por conta da minha excessiva racionalidade e da baixa emotividade. Sou muito cerebral, e por isso pouco empático, tenho dificuldade de me pôr no lugar das pessoas e compreender rapidamente suas necessidades. Afirmo que a minha personalidade é um tanto calculista, sou sim um pouco frio, controlado e contido, detalhista e metódico, e um tanto quanto “distante emocionalmente” das outras pessoas. Mas eu jamais seria capaz de prejudicar objetivamente,conscientemente, alguém! Isso vai contra todos os meus princípios, contra o meu caráter, contra a minha própria criação. Não fuieducado assim.

 

Mas confesso que ter o traço me ajuda na minha profissão e pode ajudar em outras. Veja que a descrição que dei cabem bem para um contador, para um engenheiro, para um desenhista técnico. São úteis para mim quando preciso calcular uma folha de pagamento ou uma rescisão de contrato de trabalho, porque consigo fazer isso com uma precisão quase cirúrgica. Características boas até para um juiz. Eu por exemplo sou lembrado pelo senso de justiça e procurado às vezes para arbitrar desavenças (por enxergar o fato com frieza e os envolvidos sem vínculo emocional). Sou um observador atento e detalhista. Sou intuitivo. Faço umas boas interpretações e análises. Então, ter traço nem sempre é ruim. O traço é uma coisa e o transtorno em si é uma outra completamente diferente. E isso vale para todos os transtornos de personalidade.

 

E note que grifei acima a palavra consciente porque psicopatas têm consciência de seus atos, por isso não devem ser considerados doentes mentais. Não há tratamento nem cura, estamos falando de personalidade. É uma maneira de ser. Uma forma de se exercer e existir no mundo, onde o outro não tem valor, o outro é só um meio para se atingir um objetivo.

 

As perguntas do milhão são: como identifica-los? E como lidar com eles?

 

Para responder a primeira pergunta, gostaria de lembrar que aprendemos desde pequenos (e a gente sempre esquece) que não se julga um livro pela capa. Da mesma forma que não se começa a ler o livro pelo fim; a gente tem que partir da primeira página. Um funcionário que apresente sinais de desvio de caráter numa empresa (como mentir, omitir, distorcer, trapacear ou até furtar ou roubar) certamente já tem um histórico. Ele provavelmente tem uma série de experiências profissionais anteriores obscuras. Mal resolvidas. Mal contadas. O passado desse profissional quase sempre será marcado por experiencias profissionais meio parecidas ou será um passado nebuloso, conflituoso, ou de difícil acesso; onde certamente ele próprio dificulta o acesso. E quando tocado no assunto ele sempre vai se colocar como a vítima e ter um discurso de pena. Aí entra o sinal de alerta: cuidado com aqueles profissionais que são perfeitos demais e chegam numa entrevista com um currículo irretocável (ninguém é perfeito assim, de verdade). Especial cuidado com aqueles profissionais que têm sempre um discurso que foram ou que são vitimizados. Psicopatas são especialistas em jogar com emoções alheias. Preste atenção em subordinados ou em colegas de trabalho de mesmo nível hierárquico ou de níveis mais baixos (só serão de níveis acima se tiverem algo a ganhar ou se você estiver no caminho obstruindo sua escalada) que te apresentem uma realidade embutindo já uma interpretação parcial e tendenciosa dos fatos. Eles geralmente não te dão tempo nem espaço de raciocinar por si diante das situações e ficam sempre tentando conduzir a sua interpretação (que na verdade é a interpretação que querem que você tenha). Essa é a manipulação! E tem sempre uma finalidade por trás (pode ser poder, status, dinheiro ou puramente diversão). Nem todo manipulador é um psicopata, mas todo psicopata será um manipulador nato. Estes profissionais sempre estarão envoltos a conflitos, mas nunca ligados diretamente. Gosto de dizer que sempre os veremos próximos do fogo, mas nunca conseguimos liga-los ao incêndio!

 

Responder a segunda pergunta talvez seja ainda mais difícil, porque mais difícil do que perceber uma pessoa genuinamente mau caráter, é saber lidar com uma depois da constatação. Acredito que, como o ditado, “a ocasião faz o ladrão” (quando o ladrão é mau caráter!). Para os profissionais, eu recomendaria que se você perceber que uma pessoa da empresa tem uma má índole, não crie ocasiões que possam te prejudicar. Não confidencie segredos. Não deixe senhas gravadas no seu computador. Evite comentários de chefes em comum ou de outros colegas que possam ser usados posteriormente contra você. Mantenha uma distância profissional sadia. Seja profissional! E acima de tudo: seja o mais racional possível ao lidar com essa pessoa especificamente. Indivíduos com um mau caráter jogam com as emoções alheias, isso significa que pessoas mais emotivas, que dão uma maior abertura aos sentimentos, tendem a ser alvos mais fáceis da manipulação, pois são naturalmente mais vulneráveis. Neste caso, evite excessos de emotividade e busque sempre um senso autocrítico para o seu comportamento. Para as empresas, eu recomendaria basicamente duas medidas: regras claras e punições efetivas! O psicopata no trabalho não deixaria de cometer um deslize só porque vai prejudicar um colega, mas certamente deixará de cometer se tiver certeza de que será responsabilizado. Ele tem consciência de seus atos. Se souber de antemão que na empresa em que trabalha as normas de conduta são claras, são sérias e se for pego infligindo haverá consequências relevantes para si, ele se adéqua. Ou no mínimo perde campo de atuação. O psicopata sempre vai existir em todas as organizações, porque ele está em todas as camadas e áreas da sociedade, mas ele só ganhará espaço de atuação na empresa em ambientes não estruturados, ambientes que não tenham regras claras ou que estas sejam constantemente relativizadas, e principalmente onde não exista uma punição efetiva perante a constatação de um mau comportamento ou de um comportamento não adequado.

 

 

Texto publicado em 11/08/2018 pelo aluno do curso de MBA em Gestão Estratégica de Pessoas, Liderança e Coaching da Práxis Educacional, Jonas Souza, originalmente em seu Blog pessoal que pode ser acessado neste link: https://goo.gl/nwRM3i. A reprodução do texto e a divulgação de sua imagem foram autorizadas pelo autor.

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